Presidente da INSG fala ao Jornal Sete Dias

Publicado em 8 jul 2016 por Bárbara Araújo

Três meses após a posse do novo Conselho da INSG, o presidente do Conselho de Administração da Irmandade falou com exclusividade para o Jornal Sete Dias. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra.

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SETE DIAS: Que avaliação o Senhor faz nesses primeiros 100 dias a frente da Irmandade?

Heber Moreira: Bom, sabíamos dos desafios e das dificuldades. Porém, as demandas verdadeiramente foram muito maiores do que esperávamos. São 100 dias de lutas, 100 dias de surpresas, porém, muitas das vezes, surpresas negativas. Temos muito o que agradecer pelas portas que nos foram abertas, mas o fato é que as demandas, principalmente no cunho financeiro e no que diz respeito às dificuldades de entendimento nos fizeram inertes com relação às expectativas que tínhamos, principalmente nas questões financeiras, que  deixaram a desejar com os cumprimentos e deveres dos contratos com a Irmandade.

Apesar disso tudo, foram dias importantes para a gente conhecer muito mais profundamente os desafios que teremos pela frente e de fortalecer, de fato, os propósitos de trabalho que vieram desde a criação da chapa eleita, porque tanto o Conselho de Administração, quanto o Conselho Fiscal trabalham em igualdade de condições e de uma forma bem intensa, bem harmoniosa, bem integrada.

Nesse contexto é importante ressaltar o apoio do corpo clínico, das sociedades organizadas, do grupo empresarial formado no intuito de ajuda à Instituição, formado pela ACI. Nesse período foram quase 40 reuniões ordinárias em 100 dias. O que ratifica o compromisso do conselho de ser participativo, desde o momento da posse.

 

 

SETE DIAS: Qual foi a real situação financeira encontrada pela nova gestão?

Heber Moreira: Não poderia ser diferente, infelizmente a saúde nacional não vai bem, mas as dificuldades que já existiam e que foram objeto de negociações que não foram cumpridas, dificultaram ainda mais essa situação, fazendo com que esses 100 dias fossem muito mais temerários do que imaginávamos. Conseguimos, e é objetivo do Conselho, a austeridade. O compromisso ainda é grande, mas o não cumprimento com os haveres da Irmandade dificultou ainda mais a tomada de decisões.

Temos uma demanda tanto de débitos que a Irmandade tem com seus fornecedores e seus profissionais, como também a inadimplência que nós tivemos do poder público, no repasse das verbas da Prefeitura Municipal.

 

 

SETE DIAS: Como avalia a recente renegociação feita junto a prefeitura?

Heber Moreira: A renegociação com a Prefeitura foi frustrante. Vale destacar que, nesse período, já estamos negociando com o segundo secretário, e que as negociações já aconteciam com um terceiro antecessor. E mesmo diante da Promotoria do Estado, do Secretário do Estado de Saúde, ela realmente não surtiu efeitos.

Então, apesar de termos tentado inúmeras vezes que as renegociações tivessem sucesso, da promessa de pagamento, infelizmente, elas não tiveram uma boa finalização. Não tivemos o resultado que esperávamos, ou seja, receber os recursos, que ainda estão pendentes no Fundo Municipal de Saúde. Então eu resumo como frustrante.

 

 

SETE DIAS: O que motivou a saída do Dr. Felipe Toledo da Superintendência?

Heber Moreira: É inegável a capacidade e a competência do Dr. Felipe Toledo. Ele é um dos destaques a nível estadual naquilo que faz. Mas, diante das pressões sofridas pela pessoa, em particular, do Dr. Felipe Toledo e por outras questões pessoais houve um consenso entre ele e o Conselho que seu desligamento seria a melhor opção.

 

SETE DIAS: Outros cargos podem ser revistos no setor administrativo?

Heber Moreira: Sim. O nosso compromisso é o melhor para a Irmandade, em qualquer tempo que se faça. Se for por bem que haja novos remanejamentos, novas alocações, novos contratos ou demissões e entendermos em conjunto que isso vai nos fortalecer e que isso é necessário, não temos dúvidas.

Temos que trabalhar com base na realidade financeira do hospital.  Além disso, nós estamos também fazendo a revisão e atualização de todo o sistema organizacional, da estrutura organizacional a da real necessidade de funcionamento à quantidade necessária de pessoas para realizar esse tipo de atividade. Para a máquina funcionar redondinha, temos que otimizar o aproveitamento da área de pessoal.

 

 

SETE DIAS: Houve comentários sobre uma provável auditoria nas contas da Instituição. Isso está sendo feito ou será feito?

Heber Moreira: Diante da situação financeira da Irmandade, nós não temos como contratar uma auditoria externa, que custa algo em torno de R$200 mil. Por isso, o nosso Conselho Fiscal já está trabalhando numa análise minuciosa de todos os contratos e  contas do hospital. Esses auditores internos já possuem toda documentação em mãos. É um vasto volume de documentos, de pastas e eles, incansavelmente, têm se dedicado a esse trabalho de auditar e analisar essas contas, contratos financeiros e trabalhistas, fluxos que possam nos apresentar a real situação econômico-financeira-contábil da Instituição.

Teremos também uma consultoria administrativa financeira externa que será realizada pelo grupo de apoio,representado pela ACI e custeada por essa Instituição. A auditoria é da vontade do Conselho, mas por motivos financeiros, não temos como contratar.

 

SETE DIAS: Como está a situação financeira do hospital atualmente? Quais as perspectivas para os próximos meses?

Heber: Nossa situação financeira é delicada e temerosa, uma vez que os nossos recursos não estão sendo devidamente recebidos e não são suficientes para honrar os nossos compromissos. Os passivos já existentes consomem grande parte desse fluxo,e devemos mantê-los em dia em virtude de certidões, adimplências com instituições financeiras, etc. Mas, apesar disso, o hospital se mantêm cumprindo seu papel, todos os seus contratos, mantendo a assistência. Apesar disso e com o apoio de toda a equipe de colaboradores e toda a equipe técnica estamos sim prestando o melhor serviço de saúde para os nosso s clientes e vamos continuar com essa intenção.

Vale lembrar que 70% dos atendimentos realizados no HNSG são para pacientes do SUS e que somos o 7º maior prestador SUS de Minas Gerais, apesar de muita gente ainda falar que somos um hospital particular. Esses números são muito importantes.

Além do mais, o conselho, em conjunto com novas parcerias e ampliações dos serviços, traz muitas perspectivas de novas oportunidades de negócio para o HNSG.

 

 

SETE DIAS: Como o Conselho vê a importância da captação de recursos para a saúde financeira do Hospital?

Heber Moreira: Desde que assumimos, temos feito reuniões semanais com nossa equipe de Captação, atraindo voluntários e apostando em novas fontes de recursos, como é o caso da Campanha Ilumine Vidas, que permite doações por meio da conta de luz.

Eu vejo que a captação é uma nova janela que se amplia, inclusive com experiências de outros hospitais. Temos depoimentos do hospital lá de Barretos, onde que 1/3 da receita vem de doações e esse é considerado um hospital exemplar.

Somos um hospital filantrópico e as instituições filantrópicas precisam hoje e vão precisar cada vez mais de uma participação em massa da sociedade. Além disso ainda precisamos sempre dar valor ao trabalho desenvolvido pela AVOSG. Faço questão de agradecer a todos os voluntários e à nossa equipe de captação.

 

 

SETE DIAS: Já que recebe verbas públicas, por que o HNSG ainda precisa contar com as doações para se manter.

Heber: Porque tem mais de 15 anos que a tabela SUS não é reajustada. Essa tabela é insuficiente, ou seja: não consegue manter o custo mínimo de um serviço prestado pelo Hospital Nossa Senhora das Graças. Por isso nós não temos recursos suficientes para custear o nosso custo operacional mínimo somente com verbas públicas. E um dos objetivos da Irmandade, que está em seu estatuto, é a prestação de serviço filantrópico à comunidade. Mas pra fazer filantropia você precisa de dinheiro.

 

 

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