Prata da Casa: Renilde se dedica ao HNSG há quase 41 anos

Publicado em 15 ago 2016 por Bárbara Araújo

facebook-renildeA segunda personagem do “Pratas da Casa” é a auxiliar de enfermagem Renilde Silvia Pereira, que há quase 41 anos se dedica ao HNSG. Admitida em novembro de 1975, Renilde desde 2010 trabalha na dispensação de materiais do Bloco Cirúrgico.

Com tanto tempo dedicado à enfermagem, ela nos conta que quando veio trabalhar no HNSG nem pensava que sua vocação seria nessa área “Eu tinha um vizinho que trabalhava aqui e me chamou para trabalhar na lavanderia. Quando eu vim, a Irmã Lúcia França olhou para mim, disse que eu tinha o perfil para a enfermagem e me chamou para fazer um estágio nessa área. Naquela época não era exigido curso específico, a gente entrava, passava pelo estágio acompanhado e se desse certo aí ficava, e foi o que aconteceu comigo”. Depois de já estar atuando, Renilde conta que na medida em que foram surgindo os cursos, ela foi fazendo e hoje tem o curso de auxiliar de enfermagem.

Com tanto tempo de profissão e dedicação, vários foram os casos que marcaram sua trajetória profissional, mas um em especial é lembrado com carinho: “tivemos um paciente chamado Sr. Altagiba, que veio fazer um pequeno procedimento e estava muito ansioso. Entre um procedimento e outro eu fui conversando com ele, aí ele foi ficando mais tranqüilo e fez o procedimento. Aí quando terminou, ele me chamou, eu vi que estava emocionado, com os olhos cheios de lágrimas, e falou que antes estava quase indo embora para casa, que não iria fazer aquele procedimento pois estava inseguro e não estava tendo coragem. Ele disse que ao conversar com ele,  eu passei tanta segurança e tranqüilidade, que ele estava feliz porque havia realizado o que tinha que ser feito. Disse que se não fizesse o procedimento poderia estar comprometendo mais órgãos, mas que minha segurança e a maneira como o tratei  fizeram muito bem a ele. Isso foi tão gratificante porque, para mim, na enfermagem o retorno que a gente tem com o paciente é muito importante e esse caso me marcou profundamente.”

Ao ser questionada sobre o que o HNSG representa na sua vida, Renilde diz que, para ela, o hospital é uma escola de formação “Porque que eu falo que aqui é uma escola de formação? Porque aqui dentro você vai aprendendo com pessoas e com colegas. Os valores que meus pais me passaram eu carrego comigo, mas aqui a gente tem muito que acrescentar, a gente ganha muito. Por aqui passam muitas pessoas com índoles boas e a gente vai aprendendo com elas os valores éticos e morais. Eu aprendi muito isso aqui, muito mesmo, com colegas de trabalho, com cirurgiões, então para mim, foi uma escola de formação.”

Renilde lembra que nesses quase 41 anos, já passou por várias fases do hospital, fases difíceis, mas sempre com uma luzinha lá no fim do túnel. Um momento pessoal difícil, vivido em partes dentro do HNSG, também é lembrado por ela “Eu passei por um problema de saúde, fiquei 11 meses afastada e nesse período eu vim aqui muito pouco, só mesmo para fazer o tratamento. Quando estava perto de voltar a trabalhar eu travei, não conseguia explicar o que estava acontecendo. Mas aí coloquei na minha cabeça que o dia que conseguisse passar aquela catraca eu tinha vencido esse obstáculo. Alguns dias antes de voltar a trabalhar eu vim, passei a catraca, fui lá no meu setor, conversei com a Poliana, que é a minha coordenadora, e tudo aquilo que estava me travando caiu por terra. Eu não consegui entender até hoje o que foi esse sentimento, era aquela vontade de voltar, mas pensando como seria. Mas foi muito bom, fui muito bem acolhida por todos os colegas e cirurgiões.”

Ao deixar um recado para aqueles que estão chegando agora na profissão, Renilde diz “As pessoas falam que enfermagem é vocação, eu acho que além da vocação, é doação, você tem que se doar o tempo todo, porque você mexe com vidas, são pessoas que vem pra cá inseguras, com medo e a gente não sabe os problemas que elas estão deixando em casa. Então o que a gente faz nesse momento? A gente tem que esquecer da gente para se doar para aquela pessoa.”.

Dar sentido no que faz também é uma dica, Renilde: “Agora que estou mexendo com os materiais, eu vivo intensamente aquilo ali, porque eu sei a função desse material lá na frente, eu sei a utilidade dele. Então, eu procuro dar sentido naquilo que estou fazendo, pois se você não der sentido, você fica frustrado. No bloco já se passaram tantas pessoas, tantas gestões, tantos colegas e a gente tem um bom relacionamento com todos, porque tem que dar sentido onde você está. Se eu não der sentido no meu trabalho, tudo cai por terra” finaliza.

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