“Prata da casa”: Liozete trabalha há quase 31 anos no HNSG

Publicado em 3 nov 2016 por Bárbara Araújo

facebookO ano de 1986 começou diferente para Liozete Ferreira. No dia 9 de janeiro, ela começou a trabalhar no Hospital Nossa Senhora das Graças. O primeiro trabalho de carteira assinada foi como atendente, no setor que hoje conhecemos como CME. Um ano depois foi transferida para o Bloco Cirúrgico, onde está até hoje.

Quase 31 anos depois, Liozete pensa no quanto sua vida mudou. Durante esse período, teve duas filhas. “Sou pai e mãe delas. Não sei como teria sido se não fosse meu trabalho no HNSG”, conta. Josiane, a mais velha, hoje com 22 anos, está grávida do primeiro filho, que vai nascer no HNSG. Camile é a mais nova e tem 10 anos.

A história de Zete, como é carinhosamente chamada a técnica de enfermagem pelos colegas de trabalho, para por muitas idas e vindas. “Durante esse tempo todo muita gente que faz parte do nosso convívio já se foi. Outras se aposentaram. Mas isso é parte da vida. É um ciclo que a gente tem que passar”. Há 11 anos, Liozete perdeu o pai. O irmão se foi há dois e lembra que, nesses momentos difíceis, foi carinhosamente acolhida por todos. “E a gente tem que seguir nossa vida”.

Em todo esse tempo, conseguiu fazer grandes amizades. “E isso eu costumo falar com minhas colegas que a relação é uma construção, e o dia a dia vai ensinando a gente a lidar com pessoas diferentes da gente”, afirma Zete, que se diz muito tranqüila e paciente. “Isso é uma característica que ninguém tira de mim. Quando sinto que estou saindo do eixo, converso com Deus e peço pra ele me não me deixar sozinha.”

Sobre o futuro, Liozete também coloca nas mãos de Deus. “Eu não sei quanto tempo ainda vou ficar no Hospital, então peço a ele que permita que as pessoas que estão chegando tenham o mesmo propósito que eu, o de ajudar as pessoas e fazer a diferença na vida dos pacientes”.

Com relação ao momento vivido pelo HNSG ela é enfática. “Nós estamos todos no mesmo barco. Uns pulam fora, outros continuam. E mesmo que a gente esteja vivendo uma crise como essa, que esse seja um dos piores momentos políticos que esse país já viveu, é passageiro e não é culpa de ninguém”, defende a técnica em enfermagem, que agradece por não estar em casa, sem trabalho. “Passar o dia de pernas pra cima vendo TV? Deus me livre! Eu não ia agüentar isso”.

Há algum tempo, Zete recebeu uma carta escrita de próprio punho, por um paciente que queria agradecer à equipe que cuidou dele. “Isso é valioso demais. Ele fez esse agradecimento com tanto carinho que eu achava que gestos como aquele nem existissem mais. As pessoas precisam de atenção. Então se a gente chega, senta perto, conversa, visita, faz muita diferença. É isso que faz o dia da gente valer a pena”, conclui.

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