Márcia e HNSG: uma paixão que atravessou gerações

Publicado em 13 fev 2017 por Bárbara Araújo

marciapqMárcia Maria de Oliveira é camareira no HNSG. Há 30 anos, foi contratada e começou a trabalhar na UTI, mas a história dela e de sua família com o hospital começou muitas décadas antes.

Márcia conta que, em 1940, um grupo de freiras que cuidava e morava no HNSG visitou o lugarejo de Pai Paulo, perto de Jequitibá, e se encantou por uma menina que vivia ali. Essa menina era a mãe de Márcia que tinha, na época, 10 anos de idade. As freiras pediram aos pais daquela menina que permitissem que ela viesse morar em Sete Lagoas, e que cuidariam dela. Depois de alguma resistência, como se tratavam de religiosas, os avós de Márcia permitiram que sua mãe, ainda menina, se juntasse às freiras.

No HNSG a menina cresceu, começou a trabalhar e se apaixonou. “Foi aqui no Hospital que ela conheceu meu pai, porque ele também trabalhava aqui”. Do casamento nasceram quatro filhos, mas o pai de Márcia morreu muito jovem, aos 29 anos de idade. “Minha mãe ficou sozinha com os filhos para criar e foi do hospital que tirou o sustento”.

Duas irmãs de Márcia, Beth e Sãozinha, também trabalharam aqui. “Então eu cresci vendo a minha mãe e depois as minhas irmãs e até uma tia minha trabalhando no HNSG e eu tinha certeza que eu também queria vir para cá. Mas elas falavam que eu não ia dar conta”, relembra a camareira. “Eu não queria trabalhar na assistência, mas tinha certeza que se me colocassem em outro setor eu ia dar conta sim”.

A contratação foi, originalmente, feita para a UTI, que havia sido inaugurada há pouco tempo. “Lá a gente fazia de tudo um pouco, mas realmente era um trabalho bem difícil”. Uma depressão, depois da morte do irmão, a obrigou a se afastar do hospital por um tempo. Aquela foi uma época muito marcante. Trabalhar na UTI era intenso. Uma vez teve um incêndio e a gente teve que sair tirando os pacientes às pressas. Me marcou muito”, recorda.

Quando se recuperou, Márcia foi transferida para a Lavanderia. Apesar de não estar na assistência, lidando diretamente com os pacientes, ela sabe da importância do seu trabalho. “A gente se completa, cada um fazendo sua parte para o hospital dar certo e funcionar. Eu faço sempre questão de entrar nos quartos para ver se está tudo em ordem com um sorriso no rosto. Os pacientes também sempre me tratam muito bem”, conta.

No novo setor, ela se sentiu renovada. “Ali o clima era outro. A gente morria de calor, mas cantava, dava risada, se divertia no trabalho. Tenho uma gratidão muito grande pela Maria Elza por tudo o que ela fez por mim, pelo quanto me ajudou, mas com todas as colegas de trabalho eu me sinto em casa. Somos uma grande família”.

E por falar em família, a que Márcia constitui também traz histórias interessantes. Ela, que tem dois filhos, nunca foi legalmente casada. “O pai do meu filho foi embora e eu fiquei com ele para criar. Eu já trabalhava no Hospital, então não sei como seria sustentá-lo sem esse emprego”. Dez anos mais nova Márcia tem uma filha que acaba de se formar em Ciências Biológicas. “O pai da minha filha sempre foi um grande companheiro, nunca me abandonou, mas nós passamos vinte anos separados. Eu criei a minha filha com o apoio e a presença dele, só que morava com a minha mãe. Durante esses vinte anos eu nunca escondi que o amava, mas só dois anos atrás, quando ele terminou de construir uma casa pra nós, ele me chamou para viver com ele de novo”. Márcia aceitou o convite e, hoje, divide a bela casa no bairro Recanto do Cedro com a filha e o marido. “A gente não casou. Ainda. Mas eu ainda espero casar com ele sim!”, revela.

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