Infectologista explica sobre necessidade de vacinação contra a Febre Amarela

Publicado em 14 fev 2017 por Bárbara Araújo

aedesgd2017 chegou trazendo uma preocupação a mais para os mineiros. Se no verão o mosquito Aedes Aegypti já carregava o perigo da Dengue, do Zika vírus e da Chikungunya, neste ano ele traz também o risco de contaminação da Febre Amarela. Um aumento repentino no número de casos em pessoas das regiões dos Vales do Rio Doce e do Mucuri acendeu uma luz de alerta em toda a população.

O último boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde na sexta-feira, 10 de fevereiro, mostra que já foram notificados, no Estado, 987 casos suspeitos de Febre Amarela. Deste total, 198 foram confirmados. 95 mortes ainda estão sendo investigadas e 68 já foram confirmadas em função de complicações da Febre Amarela. Diante desses números, a população está assustada e tem feito uma verdadeira corrida aos Postos de Saúde em busca da vacina.

De acordo com o médico infectologista da Comissão de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH) do Hospital Nossa Senhora das Graças, Dr. Homero Campos Reis, que também atua na Vigilância Epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Sete Lagoas, a cidade, até agora, não está no mapa de risco da doença. “A regional de Sete Lagoas não está na zona de risco. O que a gente precisa é de ter uma atenção no fluxo migratório que hoje é muito rápido e dinâmico. Pelos meios de transporte atuais, é possível que as pessoas estejam em outras regiões do Estado em apenas algumas horas, então isso demanda uma atenção especial”, explica o médico, que conta também que, nas regiões onde está havendo um surto da doença, o contágio tem afetado predominantemente moradores da zona rural.

Dr. Homero explica que, no fim do século XIX e início do século XX, parte da transmissão da Febre Amarela em ambientes urbanos já era feita pelo Aedes Aegypti. “Portanto, não é uma novidade o mosquito transmitir também essa doença”, defende.

 

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Dr. Homero Campos Reis é infectologista no HNSG.

VACINAÇÃO

A Febre Amarela é uma doença frequente em regiões tropicais. “Do sul dos Estados Unidos, passando pela América Central, até aqui no Brasil é fácil de se encontrar. Então no Brasil todo mundo tem que tomar vacina. Ela está no calendário vacinal tanto de crianças quanto de adultos”, explica Dr. Homero. No entanto, com o surto registrado em Minas Gerais, muita gente tem corrido aos postos de saúde mesmo sem necessidade de se vacinar.

O médico defende que aquelas pessoas que estão com o cartão de vacinação atrasado devem mesmo procurar atualizá-lo. “Não só contra a Febre Amarela, mas também com relação a todas as outras vacinas como Tétano e Hepatite, independente de estarmos vivendo um momento de epidemia ou não. Para isso é só procurar a Unidade de Saúde e pedir para atualizar”.

E apesar de recomendar a vacinação para pessoas que não estão com o cartão em dia, o médico faz um alerta: a vacinação em gestantes, puérperas com bebês até seis meses e idosos não é recomendada. “A gente só vai vacinar esse público depois de avaliar caso a caso. Uma gestante que precisa viajar para a área endêmica ou que more numa área de surto, por exemplo. O médico vai avaliar a relação entre risco e benefício para indicar ou não vacina para aquela paciente em especial”, justifica Dr. Homero. Isso porque, ao contrário de muitas outras, feitas com o vírus morto, a vacina da Febre Amarela é fabricada utilizando-se o vírus atenuado. “A pessoa pode ter febre amarela pós vacinal. No caso dos idosos isso é passível de acontecer por causa da idade e no caso do bebê que está no ventre da gestante, ele também pode ter a doença. Por isso é importante analisar os riscos e benefícios antes de correr para o posto de saúde”, adverte o infectologista.

 

COMPLICAÇÕES DA FEBRE AMARELA

A Febre Amarela tem, da mesma forma que grande parte das infecções, um leque de manifestações clínicas como febre, mialgia, icterícia, prostração e dor de cabeça. 90% dos pacientes têm uma doença sem complicações. 10% tendem a apresentar um quadro mais grave e, desses 10%, existe uma taxa de mortalidade em torno de 50%. No montante todo, é uma mortalidade alta, e nos pacientes imunocomprometidos como idosos e pessoas com diabetes descompensado ou HIV positivo, por exemplo, a doença tende a ser mais agressiva. “Quando a doença acomete um paciente em sua forma mais grave é uma catástrofe. Ele apresenta inflamações severas e outras complicações como falência de múltiplos órgãos por exemplo”, detalha Dr. Homero.

 

CONTROLE AMBIENTAL CONTRA O AEDES AEGYPTI

O verão é a época do ano em que a presença do mosquito Aedes Aegypti se dá de forma mais intensa, mas para o médico da Vigilância Epidemiológica, o período mais crítico ainda está por vir. “Este ainda não é um período de grande crescimento dos casos de Dengue, Zika e Chikungunya. É agora, a partir de março, que a gente tem um aumento no número de casos, porque é quando há uma proliferação maior do mosquito, eclosão de ovos e consequentemente mais casos das doenças, principalmente a Dengue”, conta. Por isso, ele ressalta a importância de um cuidado ainda mais intensivo com os espaços que podem se tornar criadouros. “O ideal é limpar sempre para não deixar que o mosquito adulto coloque os ovos, porque às vezes o ovo fica ali num lugar seco onde não havia água, mas se aparece essa água, ele pode eclodir”, diz.

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