HNSG busca parcerias privadas para estancar crise

Publicado em 16 mar 2018 por Bárbara Araújo

R$ 69 milhões é o valor total das dívidas que a Irmandade de Nossa Senhora das Graças, entidade filantrópica mantenedora do Hospital Nossa Senhora das Graças, vem administrando para manter o atendimento a milhares de pacientes de 35 municípios, incluindo Sete Lagoas. O tema foi analisado na mais recente Assembleia Geral realizada sexta-feira, 9 de março, às 19h, no auditório da instituição. Foi a primeira assembleia presidida pelo bispo diocesano Dom Aloísio Jorge Pena Vitral.

Atualmente, a folha de pagamento dos funcionários do Hospital Nossa Senhora das Graças é de R$ 1,2 milhão por mês. Em virtude da crise financeira  e do cenário econômico do Brasil que afetam a Santa Casa, há quatro meses os funcionários que têm salários acima de R$ 1.600,00 estão recebendo metade do valor  por mês, segundo informou uma fonte do hospital. Também há risco de faltar alguns medicamentos, acrescenta.

Na composição da dívida acumulada do HNSG, a folha salarial é de R$ 1,2 milhão por mês, 34% são de encargos trabalhistas e tributos e 21% de débitos com fornecedores. Entre abril de 2016 e abril de 2018, o hospital teve altos e baixos com o sistema financeiro, onde capta recursos para manter os atendimentos aos seus pacientes em dia.

Com a gestão da diretoria que está em fim do mandato – a direção do Conselho de Administração é eleita para um período de dois anos – a regra utilizada está sendo “trabalhar com a receita líquida, racionalizando os custos, reduzindo o número de gerências, fazendo um trabalho unido e austero, mostrando que o Hospital Nossa Senhora das Graças tem como ser gerenciado”, afirma Cleber Amorim, diretor geral.

“O hospital tem que aprender a viver com sua receita líquida”, reafirma Amorim aos integrantes da Irmandade de Nossa Senhora das Graças. Por outro lado, um fato agrava a realidade da instituição, assim como das demais santas casas por todo o país: a complexidade das patologias. Ou seja, nos dias atuais cresce o número de pacientes portadores de doenças mais graves e que necessitam, portanto, de atendimento mais complexo e oneroso. “É a inflação hospitalar”, diagnostica Cleber Amorim.

Alternativas mostram viabilidade do hospital, diz diretor

Durante a prestação de contas da Diretoria do Hospital Nossa Senhora das Graças à Irmandade, o diretor geral da instituição, Cléber Amorim destacou ações que podem trazer bons resultados. Um deles é a já praticada otimização dos recursos humanos, promovendo maior diálogo entre as gerências, reduzindo o número de cargos e consequentemente os custos financeiros. Outro aspecto ressaltado foi a parceria com a Unimed. A partir do atendimento aos  usuários do plano de saúde suplementar, o Hospital Nossa Senhora das Graças não só manterá em funcionamento todos os andares como terá a expectativa de aumento de receita.

A parceria com a Unimed significa, de imediato, o aumento do número de leitos de 176 para 193. Outra medida tomada que surtiu efeito nas contas foi o fato do Hospital Nossa Senhora das Graças ter assumido a Unidade de Oncologia de acordo com os termos do Ministério da Saúde. Antes, uma empresa gerenciava o setor que trata pacientes com câncer.

“Hoje, o HNSG cumpre com os itens da auditoria do Ministério da Saúde, possui mais de 900 pacientes em atendimento na área e tem melhorado a estrutura e assistência, inclusive com planejamento para que seja desenvolvida a Radiologia futuramente”, informa Cléber Amorim. (CP)

 

Demanda hospitalar aumenta, mas pagamentos governamentais não

Em 2017, a receita líquida do Hospital Nossa Senhora das Graças foi de aproximadamente R$ 5.245.000,00, de acordo com números apresentados pelo diretor Cleber Amorim durante a Assembleia Geral da Irmandade de Nossa Senhora das Graças. Deste total, 59% da receita é proveniente do SUS (Sistema Único de Saúde). Traduzindo para a realidade financeira, não é uma boa notícia. Há 15 anos a tabela de serviços do Ministério da Saúde não é reajustada pelo Governo Federal, o que gera déficit para os hospitais filantrópicos.

Pior ainda é a relação do HNSG com o Governo de Minas. De acordo com o balanço avaliado na Assembleia Geral, “o Governo de Minas Gerais deve mais de R$ 3 milhões de serviços já prestados.” Uma das possíveis causas será a suspensão do atendimento do hospital aos servidores públicos estaduais aposentados e pensionistas que dependem do Ipsemg (Instituto de Previdência Social do Estado de Minas Gerais).

Por outro lado, foi destacada na Assembleia Geral a regularidade dos repasses feitos pelo Município de Sete Lagoas ao Hospital Nossa Senhora das Graças. “O que foi acordado no Orçamento do Município está sendo cumprido”, atesta Cleber Amorim. “O diálogo tem sido bom”, pontua o diretor da Irmandade.

Apesar da soma de fatores negativos como o aumento dos atendimentos pelo SUS – os valores da tabela do Ministério da Saúde não acompanham os reais custos dos procedimentos – da perda de 10% de atendimentos por planos de saúde em 2017, da inadimplência do Governo de Minas Gerais e das tentativas de renegociação dos débitos do hospital com a Caixa Econômica Federal, “o Hospital Nossa Senhora das Graças tem aumentando o atendimento à população”, assegura Cleber Amorim. “Com austeridade na aplicação da receita líquida e racionalização dos custos, o hospital conseguiu aumentar o número de cirurgias de 374 para 443 por mês”, aponta o diretor. (CP)

 

Por

Caio Pacheco

 

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