Especialista ensina a identificar o Diabetes Infantil

Publicado em 25 abr 2016 por Bárbara Araújo

fotos siteDe repente, você nota que seu filho, antes ativo e com aparência perfeitamente saudável, está perdendo peso e se cansando com facilidade. O apetite aumentou, assim como as idas ao banheiro para fazer xixi, e a sede. A criança agora come mais que o de costume e, ainda assim, está sempre com fome. Se esse quadro soar familiar para você, mesmo que aconteça de uma hora para a outra, é hora de procurar um médico. Ele pode estar diabético.

De acordo com a endocrinologista pediátrica Andréia Vasconcelos Aguiar, que faz parte do corpo clínico da pediatria e da UTI Neonatal do Hospital Nossa Senhora das Graças, esses são os principais sintomas indicativos do diabetes tipo 1. E atenção! Eles valem para os adultos também. “Nós até temos muitos casos de crianças com diabetes do tipo 2, mas a maioria ainda é do primeiro tipo, o chamado insulinodependente”, explica.

Esse tipo de diabetes, de acordo com a médica, é uma doença autoimune. “O organismo não está programado para destruir partes dele mesmo, mas às vezes, algumas situações como traumas psicológicos ou algumas doenças, como um resfriado por exemplo, podem desencadear o início desse processo de destruição das células beta do pâncreas, que é quem produz insulina para o organismo”, afirma. Esse processo, explica Dra. Andréia, não acontece aleatoriamente. “É como se a criança tivesse uma caixinha dentro dela e dentro dessa caixinha estivesse guardada essa predisposição. E de repente, com o sistema imunológico abalado por algum motivo, essa caixinha se abrisse e o organismo começasse a atacar as células do pâncreas. Portanto, isso não quer dizer que, ao ficar doente ou sofrer qualquer trauma, a criança vá necessariamente desenvolver o diabetes”, descreve.

Mudanças de hábitos

Ter uma criança com diabetes em casa não é algo com o que seja possível se acostumar da noite para o dia. Segundo a endocrinopediatra, a família precisa de um tempo para se adaptar a todas aquelas mudanças. “Normalmente, interna-se a criança por cerca de uma semana após o diagnóstico para que ela e a família se acostumem com o dia-a-dia do diabetes”, diz Andréia. Ela explica que, no começo, é necessário fazer em média cinco medições da glicemia capilar por dia. Uma delas, precisa ser feita durante a madrugada para evitar quadros de hipoglicemia ao longo da noite. Também é necessário que os pais ou responsáveis e a criança se acostumem com as aplicações diárias de insulina, que podem chegar a cinco doses por dia. “Não é toda mãe, todo pai que está preparado para furar seu filho dez vezes por dia. Eles também precisam aprender a lidar com possíveis quadros de emergência e a adotar um novo tipo de alimentação para toda a família”, conta Andréia, que ressalta também a importância da atividade física regular para os diabéticos. “A atividade física consegue ter um papel semelhante ao da insulina, levando o açúcar para dentro das células e as alimentando, sem necessidade de acionar o hormônio que faz esse trabalho e falta ao diabético. Só para se ter uma idéia, se você faz uma atividade física hoje, seu organismo vai guardar esses efeitos por até 48 horas. Sendo assim, o diabético que pratica atividades físcas com regularidade depende menos da insulina que o sedentário”, compara.

Riscos

A longo prazo, permitir que a glicose mantenha-se elevada por muito tempo pode causar o que os médicos chamam de cetoacidose, que acontece quando o organismo, sem ter insulina para mandar açúcar para dentro das células, passa a quebrar a gordura e até a massa muscular para ter energia e continuar funcionando. Esse estado também é capaz de provocar fraqueza e outras conseqüências ao organismo, se mantido a longo prazo.

Os riscos que correm os pacientes diabéticos no dia a dia estão mais ligados, de acordo com a médica, à hipoglicemia, que é um nível baixo demais de açúcar no sangue. “Nosso cérebro precisa de açúcar para funcionar. Se o diabético passa muito tempo sem comer ou usa mais insulina do que precisa por exemplo, pode ter episódios de hipoglicemia”, adverte. Nesse caso, os sintomas, que aparecem de repente, podem ser fraqueza, confusão mental, irritabilidade, visão escurecida e, em casos mais graves, desmaios, convulsões e até coma. “Principalmente no caso das crianças, é de extrema importância que as pessoas que convivem com ela, como babás, professoras e familiares saibam o que fazer em caso de uma crise de hipoglicemia acontecer”, conclui Dra. Andréia.

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