Especial Outubro Rosa: Henrique Burd conta como venceu o Câncer de Mama

Publicado em 21 out 2016 por Bárbara Araújo
henriquegd

Ao lado da esposa e da maior incentivadora Ana Cláudia, o chef de cozinha Henrique Burd, que venceu o Câncer de Mama.

Em 2006 o chef de cozinha Henrique Burd vivia um turbulento processo de divórcio. Dois anos depois, ainda em meio a todas as mágoas e tristezas, frutos do fim do casamento, um estranho sinal em seu corpo não recebeu a atenção necessária. Dos mamilos, saía um líquido sanguinolento. Ele não imaginava, naquela época, que aquele era um sintoma do Câncer de Mama. “Sem plano de saúde, desanimado, eu olhei aquilo e deixei pra lá. Nada mudou e minha vida seguiu”, contou.

Anos mais tarde, quando já estava estabelecido em Sete Lagoas e a casado novamente, um outro sinal lhe chamou a atenção. Dessa vez, procurou um médico. “Notei alterações em uma das mamas. Eram alguns caroços, que me fizeram procurar um especialista. Naquela época, ele disse apenas que se tratava de uma ginecomastia, ou seja, uma gordurinha localizada, que não era nada demais”. Só que um ano mais tarde, outro sinal, ainda mais estranho, apareceu. “Eu comecei a notar que algo realmente estranho estava acontecendo. O mamilo começou ficar roxo e a ser puxado para dentro”, relembra.

Esses últimos sintomas apareceram em dezembro de 2014. “E em dezembro sempre é mais difícil encontrar um médico, e o meu médico não estava na cidade. Assim, a consulta só aconteceu em março de 2015”. O resultado da punção, que ele mesmo levou para o laboratório em Belo Horizonte, acusou a presença de um tumor maligno. “Eu fiquei branco, azul, amarelo, impassível. Mas tinha que encarar o problema, né?”, conta Henrique.

No dia 13 de maio, depois de realizados todos os testes e exames solicitados pelo médico, Henrique foi operado no Hospital Nossa Senhora das Graças. Ele lembra que, enquanto aguardava ser chamado para o bloco cirúrgico junto com outros pacientes, todos conversavam amistosamente sobre a razão de estarem ali. “Foi quando me perguntaram o que eu estava fazendo lá. Quando eu respondi que tinha Câncer de Mama pude ver que as pessoas ficaram meio chocadas”, recorda.

Na sala de espera, Henrique, sempre bem humorado e espirituoso, conta que criou um prato, que mais tarde, serviu aos médicos que o operaram. “Quando eu disse a eles o nome do prato, Maminha Caramelizada, eles se divertiram. Nunca haviam recebido um jantar de presente de um paciente. E esse jantar realmente aconteceu algum tempo depois. Foi a minha forma de agradecer. Eu estava brincando, mas estava muito assustado. Essa doença é assustadora. Minha ex-mulher contou para os meus filhos como se eu estivesse à beira da morte”.

Durante a cirurgia os médicos retiraram um tumor de 12 centímetros e fizeram o esvaziamento axilar, como também acontece com várias mulheres. Dos 26 linfonodos que foram retirados, 14 apresentavam potencialidade para desenvolver novos tumores. “Se a gente demora um pouquinho mais a chance do câncer se espalhar era muito grande”, conta.

Os meses seguintes foram de muito trabalho para o chef de cozinha. Também no HNSG, ele passou por sessões de quimioterapia e, em Belo Horizonte, se submeteu eu tratamento de radioterapia. Atualmente, ainda tem alguns incômodos deixados pela doença, como um insistente inchaço no braço direito e falhas nos pelos por todo o corpo. “Mas agora eu só faço um acompanhamento semestral. Posso dizer que estou livre do Câncer de Mama, mas sigo vigilante”.

Essa vigilância tem relação com a incidência da doença na família. Uma irmã mais velha de Henrique, que já havia enfrentado a doença, descobriu recentemente um segundo tumor no intestino. Uma das tias faleceu em virtude de um Câncer de Mama. A filha do chef, hoje com 19 anos, já precisou retirar um nódulo de um dos seios. “Ela sabe que vai precisar prestar muito mais atenção ao seu corpo do que as pessoas que não têm esse histórico familiar. Meu filho também sabe disso. Essa consciência pode ser determinante”.

Para enfrentar o Câncer, sobre o qual fala com naturalidade, Henrique contou com o apoio dos amigos, da família e, principalmente, da esposa Ana Cláudia. “Isso não pode faltar, mas a gente também tem que pensar que esse fardo é pesado demais pra quem está ao nosso lado. As pessoas se fazem de forte para nos dar coragem, mas por dentro elas podem estar se desmanchando. Então não é fácil pra ninguém”. Para quem ainda tem essa luta pela frente, as palavras do chef são inspiradoras. “A gente não pode se entregar. Não tem outra coisa a fazer, senão lutar. Com coragem, com força, com toda força que tivermos. Então o meu conselho é esse: enquanto houver vida, viva!”, finaliza.

Share on FacebookTweet about this on TwitterShare on Google+Email this to someone
Hospital Nossa Senhora das Graças © 2014 - Todos os direitos reservados