Diretor fala da atual crise financeira do HNSG e explica salários atrasados

Publicado em 5 set 2017 por Bárbara Araújo

O atual administrador do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Cleber Amorim, em entrevista exclusiva ao site SeteLagoas.com.br fala da real situação da instituição vivenciada com a crise financeira. Menciona os desafios que tem de enfrentar como o em relação aos salários atrasados dentre outros direitos trabalhistas dos funcionários.

O gestor está a frente do HNSG há quatro meses. Ele possui uma larga experiência como administrador na área da saúde, tendo trabalhado em diversos hospitais como o Hospital da Baleia, Life Center, Mater Dei, Vera Cruz, e agora enfrenta essa crise financeira vivenciada pela instituição.

A que se deve esta situação dos atrasos dos salários dos funcionários do Hospital Nossa Senhora das Graças?

Cleber Amorim – Primeiramente tem de ficar esclarecido que esta situação de atrasos dos pagamentos não só de funcionários, mas também de médicos e fornecedores, e se deu principalmente em função dos atrasos dos repasses do município de Sete Lagoas, relativo ao ano de 2016. Na época era de R$ 4 milhões e hoje está em R$ 1.3 milhões, esclarecendo que a atual administração está fazendo os repasses rigorosamente em dia. Além desta situação, existe também o atraso dos repasses do Estado de Minas Gerais, que hoje gira em torno de R$ 1.7 milhões.

Se o HNSG tivesse em mãos estes valores em atraso certamente não estaria havendo atraso nos pagamentos, principalmente dos funcionários. Deve ficar entendido que na realidade não está havendo efetivamente atrasos no pagamento dos salários dos funcionários, isso porque estão sendo feitos dentro do próprio mês de competência do pagamento, deixando claro que assim que houver a liquidação dos débitos por parte do município, que já está acertado seu parcelamento e os repasses do Estado, os salários serão pagos até o 5º dia útil.
Outra questão que piorou muito a situação financeira do HNSG foi a crise financeira que assolou o país nos últimos dois anos, pois com isso o faturamento da hospital caiu mais de 40%. Também no contrato com o município de Sete Lagoas houve a redução de R$ 153 mil. Somando todas estas situações, houve uma total desestabilização da situação financeira, assim não haveria outra consequência que não atrasar os pagamentos devidos pela entidade.

Quando você diz que não está havendo atrasos nos pagamentos queira, explicar melhor esta situação? 

Cleber Amorim – O que está ocorrendo é que o pagamento dos funcionários está sendo pago dentro da competência do próprio mês que o funcionário tem de receber. O certo é que o HNSG recebe os repasses nos dias 17 e 27 de cada mês, e partindo destes recebimentos é que quitamos os repasses de serviços levantados nos últimos 60 dias. Para os médicos todo dia 17 e os salários dos funcionários todo dia 28. Esta situação não nos agrada definitivamente, pois se não tivesse ocorrido aquela situação de atrasos nos repasses de Sete Lagoas e do Estado no ano passado, nada disso estaria acontecendo.

Hoje qual é a realidade financeira do HNSG?

Cleber Amorim – Hoje o HNSG tem um déficit mensal na ordem de R$ 850 mil, somando o que é gasto com o operacional e o que vem sendo pago de dívidas de compromissos assumidos anteriormente.

DÍVIDAS COM BANCOS – Sessenta por cento (60%) do orçamento é para pagar dívidas financeiras assumidas e impostos atrasados, o que dá em torno de R$ 500 mil mensais só de pagamentos para bancos e encargos públicos.

DÍVIDAS COM OPERACIONAL – Já com o operacional, que seria o pagamento de funcionários, médicos, fornecedores e impostos o déficit é de aproximadamente R$ 350 mil mensais. Hoje o hospital conta com 865 funcionários e a folha de pagamento, tirando os impostos e outros direitos trabalhistas, dá um valor de R$ 1.280.000,00, que está sendo pago corretamente dentro da competência do mês de recebimento, no dia 28 de cada mês. O HNSG conta com 200 médicos em seu quadro e mais 100 médicos terceirizados, somando 300 médicos e os repa

sses que é feito aos médicos é de R$ 950 mil mensais. A nossa vontade é que os repasses do Estado e município cheguem o mais rápido possível para podermos colocar o pagamento dos funcionários para o seu recebimento até 5º dia útil de cada mês.

Para confrontar esta situação deficitária estamos promovendo a renegociação de dívidas com algumas instituições financeiras, além de aderir ao Programa de Recuperação Fiscal (REFIS) para quitação dos impostos, a fim de que possa ser estendido o prazo para quitação dessas dívidas, e com isso desafogar o caixa mensal do HNSG para podermos colocar em dia nossos compromissos.

Com relação aos direitos trabalhistas dos funcionários tais como FGTS e férias, como está a situação dos pagamentos?

Cleber Amorim – Na realidade, como falado anteriormente, existem débitos a ser quitados pelo hospital e dentre eles estão o FGTS e férias de alguns dos funcionários, e isto também será objeto de quitação quando houver o devido repasse dos valores pelos entes públicos e melhoria da arrecadação.

Além destes parcelamentos de dívidas existentes o que está sendo feito para tirar o HNSG desta situação de dificuldades financeiras que está vivendo?

Cleber Amorim – Existe a perspectiva de melhoras. Mesmo porque estamos inovando na prestação de serviços,

para que haja uma melhoria na arrecadação. Para tanto estamos inovando na produção médica, melhorando substancialmente o atendimento no setor de oncologia, aumentando o número de cirurgias, aumentando atendimentos de prontos socorros e também de hemodiálise, além de outros. E não para por aí, pois estamos buscando novas parcerias através de convênios particulares, Receitas Não Operacionais (RNO) e doações de particulares. Com isso vai haver uma rentabilidade para fazer frente às despesas do HNSG. Também estamos otimizando os setores do hospital, fazendo cortes em alguns cargos tais como gerências e outros e atentando também para a questão do limite técnico do atendimento, tudo isso para redução de custos e melhorias no atendimento.

Em termos operacionais, está havendo alguma mudança para melhoria do atendimento?

Cleber Amorim – Sim, claro! Estamos trabalhando para que haja a otimização do faturamento e geração de novas receitas. Estamos fazendo cortes de cargos e de várias gerências, para que possamos chegar ao limite técnico para

uma boa prestação de serviços, ou seja, estamos planejando uma redução de despesas e estão sendo feitas, as seguintes ações:

ONCOLOGIA – foram aumentadas mais cinco cadeiras no atendimento da oncologia perfazendo hoje o número de 19 cadeiras, o que certamente vai trazer aumento no atendimento neste setor gerando mais rendas em consequência.

CONVÊNIOS E SAÚDE SUPLEMENTAR – estamos agilizando a elaboração de convênios e parcerias com entes públicos para também fazer geração de receitas.
CIRURGIAS – atualmente estamos fazendo em média 500 cirurgias mensais, e neste setor houve um aumento substancial no número de procedimentos, o que tem ajudado na geração de rendas.

UTI – houve um aumento de três leitos na UTI que soma o total de 19, o que também vai trazer mais rendas para o HNSG.

Sobre a manifestação que foi feita pelos funcionários o que a direção do HNSG tem a dizer sobre isto?

Cleber Amorim – Somos solidários a todo movimento pacífico, sempre esclarecendo que o objetivo do HNSG é cumprir com suas obrigações. O que tem de ficar bem claro, é que estamos trabalhando para manter viva uma instituição centenária e que muito serve ao povo de Sete Lagoas e região, mas para isto precisamos unir todas as forças . A situação vivenciada pelo hospital não é exclusiva dele. A saúde do país passa por um momento de dificuldades, como mencionou a Doutora Kátia Rocha presidente da Federassantas, em entrevista à Rádio Musirama, que a situação que vem passando as Santas Casas está caótica. Então não é uma situação vivida somente pelo HNSG. Quero deixar claro que estaremos lutando fortemente para que esta situação seja resolvida o mais breve possível e num período curto colocarmos todas as finanças em dia.

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