Brasil lidera ranking de aceitação de doação de órgãos na América Latina

Publicado em 26 set 2016 por Bárbara Araújo
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Márcio espera, há dez anos, por um transplante de rim.


Na semana em que se comemora do Dia Nacional do Doador de Órgãos, veja como esse ato pode fazer a diferença na vida de quem espera por um transplante.

No dia 27 de setembro é comemorado do Dia Nacional do Doador de Órgãos. Para comemorar a data, o Ministério da Saúde divulgou dados que mostram que o Brasil está à frente de todos os outros países da América Latina no índice de aceitação familiar, com 58% contra 52% da Argentina, 52,6% do Uruguai e 51,1% do Chile.

Somente no primeiro semestre de 2015, de acordo com dados oficiais do Ministério da Saúde, foram notificados no país 4.672 doadores potenciais. Dessas notificações, 1.338 foram efetivadas, o que culminou na realização, neste período, de 12.200 transplantes. Com isso, foi registrado um aumento significativo no número de procedimentos incluindo órgãos mais complexos como pulmão, coração e medula óssea.

A legislação brasileira não exige que uma pessoa, para ser doadora, deixe qualquer documento por escrito declarando essa condição. Nem mesmo o registro da opção em documentos como RG e CNH é necessário. Para declarar o desejo de se tornar doador, basta que o cidadão informe sua família, que será consultada e a quem cabe autorizar a doação.

Há dez anos, Márcio Luiz Damata, 59, faz três sessões semanais de hemodiálise no Hospital Nossa Senhora das Graças em Sete Lagoas. Ele, que teve falência renal em função de complicações do Diabetes, faz um apelo para que as pessoas se conscientizem sobre a importância da doação de órgãos. “Eu vi na televisão essa semana um caso de uma pessoa que faleceu e poderia ser doador, mas a família não autorizou. O meu sentimento, quando vejo uma notícia dessas, é que as pessoas não sabem da importância da doação de órgãos porque não têm nenhum familiar vivendo o que a gente vive aqui, à espera de um rim, por exemplo”, disse. Emocionado, ele falou sobre a necessidade de as pessoas conhecerem um pouco que seja a realidade de quem está à espera de um órgão para entenderem a importância da doação. “Eu faço um convite para que essas pessoas venham aqui, conversem com quem está na Hemodiálise. A gente é muito grato por existir uma máquina que possa nos manter vivo, mas receber um órgão de alguém que não vai mais precisar dele, isso sim seria um presente de Deus”, afirmou.

Tipos de doador

Foi na Hemodiálise que Márcio Damata conheceu a esposa, que também está esperando por um transplante renal. Ligado à máquina, ele olha com compaixão para a companheira e desabafa: “Eu queria ficar bom para poder cuidar dela”.

Márcio não conseguiu, na família, ninguém que pudesse ser doador de um rim. Se houvesse compatibilidade entre Márcio e familiares de até quarto grau seria possível realizar o transplante utilizando-se o órgão de um doador vivo. Cônjuges também podem ser doadores. A legislação brasileira ainda autoriza a doação de órgãos como rim, parte do fígado, pulmão ou medula óssea por pessoas que não pertencem a esses grupos familiares, mas esses casos dependem de autorização judicial.

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Há um ano Luana recebeu transplantes de rim e pâncreas e ficou livre do diabetes e da hemodiálise.

Para Luana Martins, transplantada há um ano, a doação entre vivos não foi uma opção. Ela, que era diabética desde os oito anos de idade, precisava de um transplante duplo. “Não adiantava fazer somente o transplante de rim, porque o que causou todos os meus problemas foram complicações do diabetes. Então eu precisava de um pâncreas também. Foram dois anos muito difíceis na Hemodiálise e eu não teria conseguido se não fosse a rede de proteção que se formou à minha volta. Minha mãe, minha família, meus amigos e a equipe do Hospital Nossa Senhora das Graças… foi por causa deles que eu sobrevivi”, relembra, emocionada.

No caso de doadores falecidos, que são aqueles pacientes que sofreram morte encefálica causada por dano cerebral irreversível, a retirada dos órgãos é feita depois que os familiares autorizam a doação. Um único doador pode beneficiar mais de dez pessoas que aguardam por transplantes, já que é possível transplantar coração, pulmões, fígado, pâncreas, intestino, rins, córneas, vasos, pele, ossos e tendões.

Luana se emociona ao falar sobre o momento em que soube que havia conseguido os órgãos. “Nós estávamos em casa, à noite, e meu médico ligou dizendo que havia uma possibilidade do transplante acontecer. Me pediu para fazer jejum e assim eu fiz. Fomos dormir. Às três da manhã ele ligou me pedindo para ir para o Hospital (Felício Rocho). Eu mal podia acreditar. Quando saí do CTI e fui ao banheiro pela primeira vez… As pessoas não sabem a vitória que é conseguir fazer xixi depois de tantos anos. Algo tão simples e natural para uma pessoa saudável…”, relembra Luana, que não teve nenhuma informação sobre o doador ou sua família. “Se eu pudesse falar com essa família eu só diria obrigada. Gratidão por me devolverem à vida, por tamanha generosidade”. Após os transplantes, ela também ficou livre do diabetes.

A retirada de órgãos e tecidos é feita em um centro cirúrgico, como qualquer outra cirurgia de grande porte, e ao contrário do que muitos podem temer, a aparência do doador não muda, podendo ele ser velado normalmente pela família.

O Brasil possui o maior sistema de transplante de órgãos gratuito do mundo, já que os procedimentos são realizados pelo Sistema Único de Saúde. Assim, nem a família do receptor, nem a do doador, têm qualquer custo com o procedimento.

Rede social ajuda a confirmar desejo do doador

O Facebook lançou uma ferramenta que permite que todo usuário da rede social se declare doador de órgãos. Como no Brasil, ao contrário de outros países, não existe a obrigatoriedade de registro de candidatos a doação, a funcionalidade pode ajudar familiares na tomada de decisões. Veja como proceder:

 

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